Quando em 1982 Pinto da Costa assume a presidência do FCP, poucos ousariam antever 1/10 do que aconteceria daí para diante. Tendo com objectivo alcançar a hegemonia do futebol em Portugal para poder triunfar além fronteiras, PC elabora uma estratégia de combate ao maior clube português, contando para tal com a ajuda da Associação de Futebol do Porto e de outras aliadas. Durante anos a fio assistimos à tomada de assalto dos órgãos federativos mais importantes (arbitragem, disciplina, justiça) pela Associação de Futebol do Porto, Braga, etc. Quando PC falava nos órgãos de comunicação social era sempre com "fina ironia"; quando insultava os habitantes do Mondego para baixo, estava a dar voz aos oprimidos do centralismo. Era a estratégia da vitimização de uma região perante as outras e de um clube, dessa mesma região, perante os clubes da capital. No fundo, PC fechou o seu clube perante as ameaças do inimigo externo. Para completar esta estratégia era preciso criar um ambiente hostil aos "jornalistas menos simpáticos", aos árbitros, aos adeptos dos outros clubes, enfim, era preciso intimidar quem não estivesse alinhado. Com os anos a estratégia refinou-se. Passou a contemplar empréstimos de jogadores e colocação de treinadores em determinados clubes que em troca cediam a sua independência de voto nos diversos órgãos decisórios e jornalistas avençados em vários órgãos de comunicação social. É claro que para o consumar da estratégia PC teve a extremosa colaboração de direcções incompetentes do Benfica e de uma linha programática sportinguista que, ao longo dos últimos anos, tem transformado o SCP no maior dos mais pequenos. Quando o Apito Dourado rebentou poucos portugueses foram apanhados desprevenidos. Toda a gente já tinha ouvido alguma história sobre os meandros do futebol em Portugal. Até já tinham sido publicados livros sobre a temática. Foi, no fundo, o consubstanciar de uma ideia de batota que circulava ruidosamente pelos estádios portugueses. Poderão os adeptos portistas argumentar que o clube também ganhou lá fora, mas, o que é certo, é que foi através da hegemonia criada intra-muros que o FCP conseguiu criar condições para poder vencer externamente. Foi a partir de presenças consecutivas na Liga dos Campeões que o FCP pôde aumentar gradualmente os seus orçamentos, seduzindo desta forma, os melhores jogadores para os seus planteis. Passados quase 30 anos PC pode orgulhar-se de ter ganho tudo o que havia para ganhar no aspecto desportivo mas, tenho dúvidas que algum dia venha a ganhar o respeito e o reconhecimento dos adeptos do futebol. Ainda é muito cedo para poder avaliar o seu legado. Certamente será necessário um maior distanciamento histórico. Quero,no entanto, referir que se o processo Apito Dourado coincidiu com o FCP de Mourinho (UEFA e Champions) e, mesmo assim, foi o que ouvimos nas escutas, então qualquer adepto em Portugal tem, neste momento, toda a legitimidade para deduzir que o mesmo ou pior pode ter acontecido nas épocas em que o FCP não esteve tão apetrechado ou em que a concorrência esteve melhor, podendo colocar em causa a justiça das suas conquistas.
domingo, 31 de outubro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
Jornalistas no estádio, adeptos no estúdio
João Fernando Ramos
Jornal da Tarde, RTP, dia 30-10-10, jornalista João Fernando Ramos.
No lançamento da reportagem sobre o Sport Lisboa e Benfica - Paços de Ferreira, o jornalista diz o seguinte:
Benfica ganha o jogo com uma grande golo de Aimar e com um polémico penalti.
Se todos os jogos em que os penaltis (mesmo os que não foram polémicos) fossem apresentados desta forma, eu diria que até havia alguma coerência, assim, digo, apenas, que é mais um exemplo de mau jornalismo. Afinal, é mais uma pérola do Centro de Produção da RTP Porto, viveiro de directores de comunicação do FCP. Viva o jornalismo, viva a independência da informação!
Para finalizar um conselho: senhor jornalista para a próxima não leve a camisola azul e branca vestida; não condiz com a gravata.
O vídeo da vergonha
Afinal, consegui encontrar o vídeo da vergonha (melhor, de uma das vergonhas).
E assim se criaram campeões em Portugal.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Um olhar sobre o plantel e a forma de jogar do Sport Lisboa e Benfica
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O esquema táctico apresentado traduz a forma como Jorge Jesus potenciou o plantel em situações ofensivas: recuando Javi Garcia para o centro da defesa e dessa forma avançando Fábio e Maxi para verdadeiros extremos, corrigindo, assim, uma carência do plantel em flanqueadores. Em situações defensivas tudo volta ao normal (avanço de Javi e recuo de Fábio e Maxi). No centro, Aimar, Gaitan, Carlos Martins e Saviola vão trocando de posições para baralhar as defesas contrárias. Os jogos menos conseguidos do Benfica, esta época, surgiram quando as equipas adversárias exerceram uma pressão muito forte na saída da bola pelos nossos defesas, o que me parece resultar da falta de um bom transportador de jogo.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Golo anulado aos 90 minutos da 2ª mão da Supertaça de 1994/95
Uma vez que o FCP - Sport Lisboa e Benfica caminha rapidamente para o apito inicial, nada como recordar o maior "roubo", que eu pude presenciar ao vivo, num jogo de futebol.
No final desse jogo fiquei com 2 certezas:
- Foi o último jogo que eu vi do Sport Lisboa e Benfica nas Antas/Dragão;
- O Benfica para poder ganhar um jogo no Dragão tem que ser muito superior ao Porto (não basta ser superior).
5 medidas para purificar o futebol português
- Diminuição do número de equipas na 1ª liga (penso que os estudos realizados indicavam, como melhor opção, as doze equipas);
- Proibição dos empréstimos de jogadores a equipas da mesma divisão (lembro que só é possível manter o actual número de equipas na 1ª liga devido aos empréstimos das equipas ditas grandes, com os problemas inerentes a esta situação, nomeadamente, desvirtuamento da competição;
- Limitação do número de jogadores sob contrato, por cada clube, de modo a evitar que os clubes grandes possuam autênticos monopólios;
- Controlo rigoroso das contas dos clubes;
- Promover a formação de uma estrutura europeia de árbitros que permitisse, aos mesmos, arbitrar nos diversos campeonatos, (como acontece nas provas da UEFA).
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Pseudo-problemas (não comparência dos adeptos nos jogos fora e jogo a realizar em Angola).
Não vejo qualquer problema pela falta de unanimidade de
opiniões no Benfica. Mal estaria qualquer instituição, seja ela clube,
país ou outra coisa qualquer, se todas as decisões tomadas pelos órgãos
decisórios tivessem que ser acompanhadas pela unanimidade da população
em causa. O Sport
Lisboa e Benfica tem direcções eleitas e com legitimidade para tomarem
as decisões que no seu entender forem as mais adequadas para o clube.
Cabe aos associados avaliarem o trabalho de gestão do clube nas
eleições e cabe às direcções explicarem devidamente as suas opções. Penso que isto é linear. Em relação às situações em causa, não
acompanho as opiniões daqueles que referem que a presença dos adeptos
nos estádios seja uma crítica à direcção. Cabe a cada adepto, em função
da informação cedida pela direcção, avaliar a sua escala de prioridades;
isto é, cabe a cada adepto avaliar se, para si, é mais importante estar
presente no estádio a apoiar a sua equipa ou faltar, e neste caso,
castigar os clubes cujas direcções pactuam com a falta de decoro
existente no futebol português. Na minha opinião, esta dicotomia de
opiniões acaba por beneficiar o Benfica, visto que permite à equipa ter
apoio nos estádios e, por outro lado, permite que os clubes visitados não
tenham a receita que, porventura, esperariam ter. Em relação ao segundo
aspecto, temos que ter em mente que, hoje em dia, os clubes mais
importantes do mundo precisam desesperadamente de encontrar novos
mercados para o desenvolvimento da sua marca. O mercado angolano surge,
assim, como uma oportunidade de ouro (eu diria que, em qualquer altura
da época desportiva). Com certeza que, a equipa técnica, irá encontrar o
equilíbrio necessário na gestão do plantel e irá reduzir ao mínimo
qualquer possível desvantagem desportiva. Em suma, na minha opinião
isto são pseudo-problemas.
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