sábado, 20 de novembro de 2010
Erro de proporções históricas
Ao vender João Moutinho ao FCP, o clube de Alvalade comportou-se como uma verdadeira sucursal do clube nortenho, cometendo um erro que pode vir a assumir contornos de histórico. A única justificação que eu encontro para esta infeliz ocorrência, é o facto da sucursal, não tendo argumentos para evitar, por si só, que o Sport Lisboa e Benfica seja campeão, prefira reforçar o FCP.
Imagem retirada do forumscp.com.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Como derrubar um ditador
Os ditadores não são derrubados pela ameaça externa, mas pela vontade dos seus súbditos. A verdadeira revolução nasce da insurreição das populações e não da intromissão externa. Dito isto, Pinto da Costa jamais sairá da presidência do FCP sem ser pela vontade dos seus adeptos. Para isto acontecer cabe ao Sport Lisboa e Benfica seguir dois caminhos:
- denunciar as manobras ilícitas,
- ser competente dentro do campo, ganhando as competições que houver para ganhar.
Visitas ao Estádio da Luz
Embora frequente quase diariamente o Estádio da Luz, só há relativamente pouco tempo fiz a visita guiada ao mesmo. Como sócio beneficiei da campanha organizada pelo clube, que consiste em proporcionar as visitas de forma gratuita para os sócios até Junho. Efectuei a marcação através do site oficial do clube para um dos muitos horários disponíveis diariamente. Chegado à porta 18, pude verificar da pontualidade com que as visitas são iniciadas e também do interesse que as mesmas provocam nos turistas (a maior parte dos meus parceiros de visita eram estrangeiros). A simpatia da guia era por demais evidente e proporcionou-nos a todos um tempo bem passado no interior do ninho da águia. O percurso engloba uma passagem por corredores onde estão expostos vários troféus e recordações do passado glorioso do clube. Após este trajecto fomos conduzidos até à tribuna presidencial, balneários da equipa visitante, relvado, sala de imprensa e terminámos na loja do clube. Ao todo, a visita tem uma duração de cerca de 60 minutos. Como benfiquista, é óbvio que adorei a visita, no entanto, devo dizer que esperava mais e que o clube merece mais. Penso que, com a construção do museu, a exposição do passado do clube será feita com a dignidade que merece e será, também, mais interessante para os visitantes poderem gerir o tempo da sua visita. Seria bom, igualmente, que o balneário tivesse um odor mais apelativo (não me pareceu haver ventilação) e que a sala de imprensa pudesse ser mais escura para se visualizar melhor os vídeos do clube (há muita luminosidade que perturba a visualização). Quanto aos vídeos, penso que há muito a mostrar para além dos voos da águia vitória. Gostaria, também, que não fossem esquecidas as modalidades do clube e os seus pavilhões durante a visita (o Benfica é muito mais do que futebol). Para concluir, resta falar sobre o espaço comercial do clube. Já muita polémica tem havido sobre o mesmo, no entanto, a minha opinião é que podia ser muito mais agradável esteticamente e com outro tipo de espaços.
Foto retirada do site oficial do Sport Lisboa e Benfica
Foto retirada do site oficial do Sport Lisboa e Benfica
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Estádio da Luz recebe dérbi ibérico
Portugal 4
-
Espanha 0
Termos estes dois indivíduos na nossa tribuna presidencial faz com que receber um jogo da nossa selecção seja, para mim, incómodo. Sou português mas não me identifico com a porcaria que abunda no futebol português (FPF, Secretaria de Estado, Liga, etc). Ao constatar a assistência que o jogo teve, no estádio, parece que esta opinião é partilhada por muitos outros benfiquistas.
BELA GUTTMANN: (1905-1981) «O Feiticeiro húngaro»
"O pasa-repassa-chuta são indispensáveis para
chegar ao golo. Marca e desmarca. Se a bola não é nossa, marca. Se a
bola é nossa, desmarca. Este é o principio fundamental do futebol!"
(Bella Guutmann, 1962)
(Bella Guutmann, 1962)
Para
regressar às raízes e aprender, nos tempos modernos, os ensinamentos de
Bela Guttmann nada melhor do que mergulhar nas dezenas de entrevistas
que o técnico húngaro concedeu durante os sete anos que viveu em
Portugal e retirar, sem descontextualizar as respostas, o seu pensamento
sobre o futebol.
As declarações de Guttmann, um dos maiores
treinadores de sempre, resultam de conversas mantidas com os jornalistas
de A BOLA. As perguntas, que permitem a manutenção do espírito
subjacente aos diálogos originais foram elaboradas no sentido de manter a
dinâmica do texto, no mais estrito respeito pelas ideias expressas pelo
feiticeiro magiar.
- Por que vectores passou o sucesso do Benfica de Guttmann?
- O segredo do êxito do Benfica não esteve na
aplicação de teorias psicológicas mais ou menos ousadas e eficientes mas
sim na estruturação da equipa segundo um modelo de jogo colectivo,
tanto quanto possível perfeito.
- A final com o Real Madrid foi muito difícil?
- Se eu treinasse o Real Madrid, creio que
teria derrotado o Benfica, principalmente se tivesse desfrutado de uma
vantagem de 2-0. O Benfica, com dois socos em cheio, vacilou. Se tivesse
apanhado um terceiro murro, teria caído.
- Quais os termos exactos da sua famosa maldição, que continua a dar muito que falar... ?
- Nem daqui a cem anos um clube português volta a ganhar duas vezes seguidas a Taça dos Campeões.
Foi difícil ser treinador do Benfica?
- Contra o Benfica, todos valem, ou fazem por valer, o dobro daquilo que efectivamente valem. É uma guerra santa.
- A mística do Benfica é apenas um mito?
- Só quem está lá dentro do Benfica é que pode
saber o que é a mística. Eu, antes, já tinha ouvido falar na mística.
Mas encolhia os ombros. Não sabia o que era. Francamente, até pensava
que não fosse nada, que não passasse de uma simples e vã palavra. Agora,
porém, que a conheci, senti e vivi, afirmo-lhe que ela existe. Não há
nenhum clube do Mundo que possua mística igual à do Benfica. E é este,
afinal, um dos grandes segredos dos seus êxitos e da sua força.
- Não está a exagerar?
- Não. Tentarei explicar algumas das suas
manifestações exteriores mais palpáveis. Veja, por exemplo, a sua massa
associativa. Chove? Está frio? Faz calor? Que importa? Nem que o jogo
seja no fim do Mundo, entre as neves da serra ou no meio das chamas do
Inferno, por terra, por mar ou pelo ar, eles aí vão, os-adeptos do
Benfica, atrás da sua equipa. Grande, incomparável, extraordinária massa
associativa!
- E os jogadores sentem esse clima?
- Nunca encontrei jogadores que sentissem
tanto a camisola como os do Benfica. Mesmo que não sejam tecnicamente
famosos, tornam-se futebolistas assombrosos e temíveis. É a mística do
Benfica, compreende?
- É adepto da rigidez táctica?
- Creio nas tácticas e na sua necessidade.
- É fácil transmitir a táctica e a estratégia aos jogadores?
- Escreveram-se tratados sobre estratégia e
táctica. Mas o jogador não é um estudante universitário, é sobretudo um
prático. E só passa a acreditar nesta estratégia ou naquela táctica se
ela se lhe demonstra em campo.
- Há fórmulas simples no futebol?
- O «passa, repassa e chuta» é indispensável
para chegar ao golo. - Só isso? - Marca e desmarca. Se a bola não é
nossa, marca; se a bola é nossa, desmarca. Este é o princípio, o
princípio fundamental.
- Outro conceito...
- O sistema para os homens e não os homens para o sistema.
- Quer explicar melhor?
- Cada equipa precisa de ter um sistema
próprio, adaptado às características dos seus jogadores. E assim como um
alfaiate não faz o mesmo feitio de fato para um corcunda ou para um
homem normal, do mesmo modo um treinador de futebol não pode dar a todas
as equipas que treina o mesmo figurino de jogo. Numa equipa, não chega,
apenas, classe. Há necessidade também de espírito de luta. Não pode
haver boas equipas sem espírito de luta
- Qual a sua fórmula para atacar?
- Passe curto nas imediações da grande área
contrária para aumentar a precisão; passe longo, quando se está longe da
baliza para, ganhar distância.
- Mas, com passes curtos não se perde objectividade?
- O passe curto não pode manietar a ideia do remate.
- Considera-se um treinador de ataque?
- Sempre me interessou mais que o ataque
fizesse mais golos do que obrigar a defesa a não os sofrer. Não me
desgosta nada que o adversário marque três ou quatro golos desde que a
minha equipa marque quatro ou cinco...
- Dito assim, parece simples...
- Primeiro, marcar golos; depois tentar não os sofrer. Eis a filosofia do meu futebol.
- E as tácticas defensivas?
- Como é que o futebol pode ser um espectáculo maravilhoso se lhe faltarem golos?
- Não abre excepções, é sempre ao ataque?
- As equipas orientadas por mim não costumam
jogar à defesa. Os bons resultados conseguem-se jogando ao ataque.
Quanto muito tolero que se defenda o resultado se este for favorável e
se cifrar na diferença mínima nos últimos dez ou quinze minutos do
encontro. Mas só nessa hipótese.
- Como se faz um bom jogador?
- Um bom jogador de futebol tem de possuir 50%
de bom executante e 50% de condição física. São atributos que não podem
deixar de coexistir, sob pena de ambos deixarem de ter valor. Em
futebol não há limites. É sempre possível fazer mais qualquer coisa.
Nunca se pode dizer que se atingiu o máximo.
-Como chega ao onze que manda para dentro do campo?
- A resolução final da constituição da equipa
depende também de factores importantes como o campo, o estado do tempo e
também o nariz dos jogadores. O nariz é muito importante, ' sabe? Se
algum se constipa e não respirar bem, não joga.
- Quem é a vedeta, o treinador ou os jogadores?
- Sou um técnico que não se aproveita dos
jogadores. Quando perdemos perco eu, quando ganhamos ganham eles. É
muito mais lindo assim.
- A sorte e o azar fazem parte do futebol?
- Não tenhamos dúvidas. Sem sorte não se
conseguem bons resultados no futebol. Só com sorte nada se consegue.
Essa sorte de que tanto se fala faz parte do futebol, é dele,
pertence-lhe, tal são seus os golos, os pontapés de canto ou os
penaltys. Não se podem dissociar.
-E a sorte, como consegue?
- E preciso saber pela lutar pela sorte, ou
antes, não nos esquecermos dela em todas as circunstâncias. Quando se
está em «dia não» luta-se pela sorte; quando se está em «dia sim» basta
aproveitá-la. Compreende senhor? Nada tem nada de complicado.
Calmamente, na corrente do tempo,
foi-se caminhando até à década de 60, aquela que, contemplando a
histórias do século é pacifico afirmar que inventaram uma nova forma de
viver a vida. Era um tempo em que o Benfica e o futebol português viviam
postos em sentido por um treinador húngaro de chicote: Bella Guttman,
que dois anos antes, em 1959, cometera a proeza de sagrar-se campeão
nacional pelo FC Porto, apagando a nostalgia portista pelo brasileiro
Yustrich, o técnico com fama de duro, que, em 1956, conquistara um
titulo nacional que fugia das Antas desde há 19 anos, depois do último,
que já remontava a 1940.
Apesar de adorado e convidado para
renovar pelo FC Porto, acabaria por, quase clandestinamente, sem dizer
nada aos directores azuis e brancos, rumar a Lisboa, ao Benfica. Deixou
uma carta onde explicava que era por causa do clima frio do Porto,
aquele nevoeiro tinha lhe provocado crónicas dores nas costas.
Necessitava, por isso, do sol do sul, mas na verdade o canto de sereia
era outro: 400 contos por ano, 150 pela conquista do campeonato, e 50
pela Taça. Na hora de assinar, conta-se que exigiu então também a
inclusão de um prémio por vencer a Taça dos Campeões. Os directores do
Benfica riram-se. Para eles era impensável esse triunfo europeu. Guttman
pediu 200 contos. “Oh, Homem não ponha 200, ponha mais 100!”. Guttman
achou bem. Ficou 300 contos.
Nos dois anos seguintes, em 1960, em
Berna, frente ao Barcelona, 3-2, e em 1961, em Amsterdão, contra o Real
Madrid, 5-3, o Benfica sagrava-se bi-campeão europeu. Guttman, legítimo
representante da dourada escola centro europeia, na vertente
austro-hungara que tantas maravilhas dera ao mundo de futebol até essa
década de 50, mudara a forma de Portugal entender o futebol.
É
curioso assinalar que quando chegou a Portugal, Guttman tinha já 54
anos e quando conquistou a primeira coroa europeia tinha 56. Antes,
embora tivesse treinado grandes equipas, como o Rapid e Áustria de
Viena, Milan, Ujpest e São Paulo nunca lograra um titulo de tamanha
grandeza.
Era um motivador, cativava pela forma
desengonçada como tentava falar português. Com ele, ninguém podia pisar o
risco. Depois do profissionalismo paterno de Otto Glória, chegava a
disciplina de chicote de Guttman, misto de Ulisses e Paracleto, como lhe
chamou o Mundo Desportivo em 1962.
Título e texto retiradas do site: planetadofutebol.com
A bela e o monstro: Guttmann lançou a maldição há 47 anos
A Alemanha invadiu a Hungria durante a Segunda Guerra Mundial e
nunca ninguém soube o que se passou com o húngaro/judeu Bela Guttmann
nesse período. Uns dizem que se refugiou num hospital em Zurique, outros
que se escondeu em Paris. Se assim fosse, poderia muito bem ser um
personagem da série cómica inglesa "Allô, Allô", que se passava naqueles
conturbados tempos, a dizer: "Ouçam com muita atenção, só vou dizer
isto uma vez."
Mas não. Bela Guttmann não é Michelle Dubois (que dizia a frase), nem pertenceu à Resistência francesa. Foi, isso sim, internacional húngaro nos anos 20 (um golo em quatro internacionalizações) e treinador visionário entre 1932 (Hakoah Viena) e 1974 (FC Porto). E foi há 47 anos que soltou a famosa frase, transformada em maldição.
"Nem daqui a cem anos uma equipa portuguesa será bicampeã europeia e o Benfica sem mim jamais ganhará uma Taça dos Campeões", disse depois de ajudar o Benfica a conquistar a segunda Taça dos Campeões seguida.
Era uma vez... O FC Porto foi a sua porta de entrada em Portugal. Conquistado o campeonato nacional em 1959, assinou pelo Benfica, com exigências impensáveis: 400 contos líquidos por ano, 150 pelo título nacional, 50 pela Taça de Portugal e 200 pela Taça dos Campeões. "200 não!" Um dirigente bem-disposto e nada crente encorajou-o a subir a parada para 300 e foi o que se viu. Bicampeão europeu - 1961 (3-2 ao Barcelona) e 1962 (5-3 ao Real Madrid) - e, sozinho, Guttmann recebeu mais que toda a equipa junta.
Bela foi então recebido por Américo Tomás (Presidente da República) e Oliveira Salazar (presidente do Conselho de Ministros) e feito comendador, tal como os jogadores. Foi há 47 anos. À saída de São Bento, virou--se para Fezas Vital, o presidente do Benfica, e segredou-lhe que se iria demitir: "Não posso treinar 14 comendattori." Era bluff? Não.
Guttmann saiu mesmo e até deixou a frase maldita no ar. "Nem daqui a cem anos uma equipa portuguesa será bicampeã europeia e o Benfica sem mim jamais ganhará uma Taça dos Campeões" (o FC Porto ganhou duas vezes, em 1987 e 2004, mas bicampeão significa duas vezes seguidas). Sem ele, de facto, o Benfica nunca mais ganhou, apesar de ter estado em mais cinco finais. A última (1990), em Viena, bem perto do cemitério judeu onde Guttmann está sepultado. Na véspera da final com o Milan (1-0, por Rijkaard), Eusébio foi ao túmulo rezar pelo técnico e pedir aos deuses que desfizessem a maldição. Em vão.
Automóveis José Augusto, o elegante extremo-direito desse Benfica bicampeão europeu, gostava do "visionário" Guttmann.
"No seu primeiro treino na Luz, em 1959, só havia três jogadores com carro: o Costa Pereira [guarda-redes], que morava em Alverca, o Artur Santos [defesa-central], que geria um talho na Amadora, e o José Águas [capitão e avançado], que trabalhava numa concessionária. Quando regressou à Luz, na segunda passagem, em 1965, já havia 30 automóveis. Ele virou-se para o Caiado [adjunto] e disse-lhe ?assim, nunca mais seremos campeões europeus?. Até agora ninguém o contrariou! Era um visionário. Morava no Chiado e ia de eléctrico para os treinos. Da Luz para casa, ia no meu carro. Era uma óptima companhia."
Allô, allô? Só vou dizer isto uma vez: daqui a 53 anos, voltamos a falar da maldição.
Mas não. Bela Guttmann não é Michelle Dubois (que dizia a frase), nem pertenceu à Resistência francesa. Foi, isso sim, internacional húngaro nos anos 20 (um golo em quatro internacionalizações) e treinador visionário entre 1932 (Hakoah Viena) e 1974 (FC Porto). E foi há 47 anos que soltou a famosa frase, transformada em maldição.
"Nem daqui a cem anos uma equipa portuguesa será bicampeã europeia e o Benfica sem mim jamais ganhará uma Taça dos Campeões", disse depois de ajudar o Benfica a conquistar a segunda Taça dos Campeões seguida.
Era uma vez... O FC Porto foi a sua porta de entrada em Portugal. Conquistado o campeonato nacional em 1959, assinou pelo Benfica, com exigências impensáveis: 400 contos líquidos por ano, 150 pelo título nacional, 50 pela Taça de Portugal e 200 pela Taça dos Campeões. "200 não!" Um dirigente bem-disposto e nada crente encorajou-o a subir a parada para 300 e foi o que se viu. Bicampeão europeu - 1961 (3-2 ao Barcelona) e 1962 (5-3 ao Real Madrid) - e, sozinho, Guttmann recebeu mais que toda a equipa junta.
Bela foi então recebido por Américo Tomás (Presidente da República) e Oliveira Salazar (presidente do Conselho de Ministros) e feito comendador, tal como os jogadores. Foi há 47 anos. À saída de São Bento, virou--se para Fezas Vital, o presidente do Benfica, e segredou-lhe que se iria demitir: "Não posso treinar 14 comendattori." Era bluff? Não.
Guttmann saiu mesmo e até deixou a frase maldita no ar. "Nem daqui a cem anos uma equipa portuguesa será bicampeã europeia e o Benfica sem mim jamais ganhará uma Taça dos Campeões" (o FC Porto ganhou duas vezes, em 1987 e 2004, mas bicampeão significa duas vezes seguidas). Sem ele, de facto, o Benfica nunca mais ganhou, apesar de ter estado em mais cinco finais. A última (1990), em Viena, bem perto do cemitério judeu onde Guttmann está sepultado. Na véspera da final com o Milan (1-0, por Rijkaard), Eusébio foi ao túmulo rezar pelo técnico e pedir aos deuses que desfizessem a maldição. Em vão.
Automóveis José Augusto, o elegante extremo-direito desse Benfica bicampeão europeu, gostava do "visionário" Guttmann.
"No seu primeiro treino na Luz, em 1959, só havia três jogadores com carro: o Costa Pereira [guarda-redes], que morava em Alverca, o Artur Santos [defesa-central], que geria um talho na Amadora, e o José Águas [capitão e avançado], que trabalhava numa concessionária. Quando regressou à Luz, na segunda passagem, em 1965, já havia 30 automóveis. Ele virou-se para o Caiado [adjunto] e disse-lhe ?assim, nunca mais seremos campeões europeus?. Até agora ninguém o contrariou! Era um visionário. Morava no Chiado e ia de eléctrico para os treinos. Da Luz para casa, ia no meu carro. Era uma óptima companhia."
Allô, allô? Só vou dizer isto uma vez: daqui a 53 anos, voltamos a falar da maldição.
Título e texto de Rui Tovar, publicado a 25 de Junho de 2009 no jornal i.
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